Viciado em Cinema e TV (A Sequela) por Nuno Cargaleiro

Abril 10 2005

Sinopse: Adam recupera a consciência somente para se aperceber que está acorrentado a um cano enferrujado de uma casa-de-banho imunda e abandonada. Mas não está só. Do outro lado da divisão, também acorrentado, encontra-se Dr. Lawrence Gordon e, entre os dois, jaz um homem coberto no seu próprio sangue...

Título Original: Saw

Realizador: James Wan

Interpretes: Danny Glover; Cary Elwes; Leigh Whannell; Shawnee Smith; Monica Potter; Michael Emerson

"Saw" foi escrito por James Wan e Leigh Whannell que batalharam para o seu conceito fosse passado à practica. Primeiro fizeram uma curta metragem com a história do filme, e com ela seguiram de distribuidora em distribuidora que pudesse financiar uma longa metragem. Conseguiram, apesar de inicialmente estar previsto que fosse lançado directamente para o mercado de video. Porém, após um "screen test", a reacção terá sido tão positiva que levou a que fosse distribuido pelos cinemas e que se torna-se numa referência no ramo dos filmes de serial killers, desde "Seven", filme o qual com que é vulgarmente comparado, apesar de ser bastante diferente.

Saw inicia-se numa casa de banho imunda e durante o filme desdobra-se em flashbacks, em outro cenários, de modo a que o filme tenha um ritmo intenso (essa referência é bem demonstrada em algumas cenas em que parece que sofreram de um "fast foward" intensivo). Na sua grande maioria, a história é perceptível, com todas as surpresas que existem, se bem que convém expecular um pouco e meditar na hora seguinte ao filme.

A grande diferença de Saw para Seven é que em Seven o assassino penaliza por pecados que ele considera que determinados elementos são responsáveis. Em Saw, o louco homicida dá sempre uma hipótese, já que ele confronta indíviduos que considera que não merecem viver com a própria razão que o faz pensar assim... Exemplo: Um indivíduo que tentou o suicídio cortando os pulsos é colocado numa jaula cheia de arame farpado tendo duas hipótes: tem três minutos para sair da jaula para conseguir fugir da cave onde está preso e para isso terá que inevitavelmente corta-se gravemente, ou fica onde está e vê-se ficar preso, deixado para morrer...

Esta possibilidade de salvação é que move a emoção em todo o filme, em que se joga com os limites pessoais, e com o terror do espectador que observa tudo... O género em si não será muito novo, já que desde à muito que se realizam filmes com serial killers, contudo é o conceito que valoriza o produto, visto que toca em algo que muitos filmes de terror/suspense esquecem-se: as emoções de quem vê.

Os actores poderiam ter efectivamente ser melhores, mas o principal protagonista acaba por ser o enredo, que brinca simultaneamente connosco. Não deixa de ser curioso que um dos elementos testados é acusado de voyeurismo, e de não fazer nada por si e pela sua vida, quando nós observamos a tudo sem ter igualmente nenhuma capacidade de decisão.

Está já antecipado a produção da sequela... Infelizmente. Acredito que não venha a chegar ao nível deste filme, já que este deveria ter ficado por aqui. Não existe necessidade de uma resposta sobre o depois. Não vale a pena, nem vai mudar nada do que é o objecto do filme: um teste, desde ao seu início até ao seu fim.

Nota: Quem ainda não viu o filme, tenha cuidado em ler os comentários deste post, para não estragar o filme.

4 estrelas

publicado por Nuno Cargaleiro às 07:05

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