Viciado em Cinema e TV (A Sequela) por Nuno Cargaleiro

Abril 09 2005

Sinopse: A morte misteriosa de um adolescente, frente à televisão, levanta suspeitas a Rachel que procura investigar qual a verdadeira causa desta morte, não tardando a associá-la ao misterioso e mortífero vídeo do passado. Entretanto, o seu filho Adam tem de ser hospitalizado quase incosnciente, com uma temperatura abaixo do normal, e com escoriações. Rachel não duvida que se trata de vingança de Samara Morgan...

Título Orginal: The Ring Two

Realizador: Hideo Nakata

Interpretes: Naomi Watts; Simon Baker; David Dorfman; Elizabeth Perkins; Sissy Spacek

Em 1998, Hideo Nakata realizou "Ringu", fazendo nascer um fenómeno no cinema nipónico de terror. No seguinte, surgiu "Ringu 2", a sequela que não veio satisfazer por completo os espectadores. Apesar de considerada mais fraca do que o original, esta sequela não veio a parar o filão que seria a história de "Samara", originando mais dois filmes (ainda nipónicos). Em 2002, Hideo Nakata surge com "Honogurai mizu no soko kara" que é versão original de Dark Water (com Jennifer Connelly). Em 2005 estreia-se em solo americano e realiza "The Ring Two", e está em pré-produção de "The Eye", o remake de "Jian gui", o filme de 2002 que chocou o ocidente com uma cena que envolvia uma rapariga ex-cega, um elevador, e um fantasma.

Falar sobre "The Ring Two" é também falar sobre o ocidente e o oriental, sobre aspectos culturais, e sobre estilos de narrativas. Pessoalmente, vi Ring na sua versão ocidental e também assisti ao Ringu, e gostei mais da versão realizada por Gore Verbinski (a americana). Existe uma diferença sobre os filmes de terror ocidentais e orientais. Os orientais, alguns géneros, optam por um ambiente envolvente que leva a criar um filme de suspense e tensão, enquanto que os ocidentais escolhem muitas vezes, embora na maior parte erradamente, ambientes movimentados com sangue e sustos (por vezes previsiveis...). Digo isto porque não acho esta sequela um filme mau, contudo acho-o mais fraco do que o primeiro e com um estilo bastante diferente do primeiro.

Hideo Nakata com este filme criou uma mistura entre o conceito do "Ring" misturado com o "Exorcista" e com algumas recordações de "The Omen" e de"Rosemary's Baby". Neste filme não há contra-relógios a atingir como no primeiro. Não existe assim a busca desperada de uma solução para conseguir sobreviver à maldição de Samara. Pelo contrário... Se o filme anterior tinha uma direcção de dentro para fora, visto que buscava soluções em outros ambientes; este filme procura o inverso, criar uma história mais intima, no desespero de uma mãe (Naomi Watts) em "luta" para salvar o filho (David Dorfman), nem que para isso tenha de voltar a dar de caras com a maléfica Samara.

As claras influências dos filmes referidos anterioremente demonstram um tentativa de desligar o resto do argumento (os restantes actores quase parece que não existem, já que quando deixam de ser precisos são colocados de lado), focando-se somente nas personagens que transitaram do filme anterior. Esta sequela após mais no sentimento como forma de atingir o susto e o horror do que o gore de mortes e sangue que normalmente caracterizam qualquer sequela de terror. Nesse sentido, consegue prender a atenção. Porém no final não é sentida a mesma sensação de desgraça e envolvimento emocional do que no primeiro. As expectativas para este filme tinham-se dirigido para outros rumos, esperando mais do que nos é oferecido.

"The Ring Two" não é um grande filme de terror, e pouco acrescenta à história de Samara. Porém, se apreciam filmes que roçam o suspense que se revelam calmamente sem grandes sobressaltos, este filme poderá ser uma boa escolha para passar o tempo.

2 estrelas

publicado por Nuno Cargaleiro às 07:39

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