Viciado em Cinema e TV (A Sequela) por Nuno Cargaleiro

Março 08 2005


Filme: Million Dollar Baby

Realizador: Clint Eastwood


Interpretes: Clint Eastwood; Hilary Swank; Morgan Freeman



"Million Dollar Baby" é um filme com um tema que poderia ser difícil de se ver, que infelizmente, se produziu de uma forma fácil para se visto. O tema em si, é uma metáfora perfeita para o desejo de vida de uma pessoa comum (ser o melhor em algo), que se associa ao próprio conceito cultural americano: "self made man", neste caso "self made woman". Este conceito percebe-se perfeitamente numa frase da personagem de Morgan Freeman sobre a personagem de Hilary Swank: "She knew she was trash".

Desta forma, este filme representa quase o tema épico de muitos filmes americanos: a ascensão e queda de... Os tons escuros de fotografia, apesar de boa, não deixa de ser uma repetição de outros filmes sobre o mesmo tema, e sobre outros filmes de Clint. Talvez seja um pouco esse o objectivo, enganar o espectador, induzindo-o num caminho para depois encaminhá-lo para outro.

É na matéria dos afectos que o filme ganha mais, demonstrando uma história simples entre um pai que não o é, e uma filha que nunca o foi, num amor que não faz questionar qualquer decisão e opção futura. Clint Eastwood consegue uma representação consistente para demonstrar o "duro amolecido" pela determinação e dedicação da personagem de Hilary Swank. Qualquer situação, desde o olhar de desdém reticente até à tragédia iminente servem para acentuar isso.

Morgan Freeman por outro lado, representa o terceiro vértice, o narrador presente que relata toda a história como se falasse directamente para nós. Nessa missão, já tomada em os Condenados de Shawshank, apresenta-se como uma aposta segura, se bem que não surpreendente.

Milllion Dollar Baby, numa maneira geral é um bom filme, que se debate numa questão actual, que não é o boxe (e mais não digo!), de uma forma discreta, mas previsivel! É na tentativa de ser um bom filme, que "Million Dollar Baby" se espalha, não perdendo os vícios habituais de muitos filmes americanos. Nós não queremos saber o que quer dizer "Mo chuisle". É o gozo do depois em digerir a informação e a procurar essas dicas que faz o filme ser desfrutado de uma forma mais apetitosa. É como um vinho que vai fermentando até estar pronto a ser desfrutado.

Mais uma vez repito, o filme não é mau. Contudo é um filme que corre o risco a ser esquecido no futuro, permanecendo na sombra de outros.

3 estrelas.




publicado por Nuno Cargaleiro às 08:55

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