Viciado em Cinema e TV (A Sequela) por Nuno Cargaleiro

Março 02 2005



Filme: Constantine


Realizador: Francis Lawrence

Interpretes: Keanu Reeves; Rachel Weisz; Djimon Hounsou; Tilda Swinton; Gavin Rossdale




Sejamos sinceros, este filme não é mau! Mas na minha opinião, também não seria tão bom quanto poderia ser esperado. Neste filme, por um lado temos uma visão muito "blockbuster" de "filme de pipocas embora lá misturar suspense e terror com acção de efeitos visuais e com uma pitada de humor e uma tensão romântica", e por outro lado temos uma base de comics BD para adultos (sim, porque o Hellblazer em que aparece o Constantine é uma BD dirigida para os mais crescidos) complexa nas suas personagens e histórias, com um ambiente dark, sem ser demasiado gótico, e sem ser demasiado "comercial".

"Constantine" é um um filme de contracensos. A começar pelo casting. Se esquecermos que Constantine é loiro até podemos dar uma hipótese ao Keanu Reeves. Contudo ele continua a apresentar-nos um nível de superficialidade na sua interpretação, à qual já deveríamos estar habituados. Talvez seja por isso, que durante o filme não notamos, mas depois ao folhear a BD de origem criamos essa consciência. A personagem de Constantine é mais misteriosa, mais agoniante, mais hipocrata, mais complexo, e mais "vingativo". Constantine não é bom nem mau. Podemos também responsabilizar esta mudança à produção e ao argumento do filme, construido de forma a alcançar um público mais jovem, e com menos contacto com a BD. Contudo, as expectativas para a interpretação de Keanu Reeves continuam a ficar aquem do esperado.

Posto isto, podemos questionar se o filme sofre com isto. Num todo, não. Porém, com um casting mais concistente poderia figurar como um filme de culto na cinematografia com base em BD.

A realização de Constantine é conscistente para criar um universo como o conhecemos, mas repletos de becos escuros onde olhos vermelhos nos olham e atingem. Os efeitos visuais alcançam os seus objectivos, não ficando a dever a nenhum filme contemporâneo, podendo somente desiludir aqueles que gostam de um terror mais psicológicos invés do espectáculo de luz e aventura.

Em termos de história em si, já aqui referi que o filme não representa o total do universo da BD da Vertigo, pois suaviza esse ambiente para alcançar um maior público apresentando a eterna dicotomia: Bem vs Mal, Ceú vs Inferno.

Após isto, chegamos ao melhor do filme: Rachel Weisz. Quando ela está em cena, domina no enquadramento do filme. Apesar de ter uma personagem ligeira que vai ganhando importância à medida que o argumento avança (e mais não digo!), Rachel Weisz consegue dar uma humanidade à personagem que nos capta logo no primeiro plano, e que nos prende, ao contrário do que Keanu Reeves faz. Podemos tentar questionar a sua escolha de filmes nos últimos tempos, para quem quer ser representada como uma grande actriz, mas o que é facto, é que "a menina anda a surpreender muita gente e vai continuar"!

Numa visão global, Constantine é um bom espectáculo com a cruz de que poderia ser melhor. Esperemos que o "Constantine 2", já anunciado, nos surpreenda.

3 estrelas

publicado por Nuno Cargaleiro às 11:38

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