Viciado em Cinema e TV (A Sequela) por Nuno Cargaleiro

Abril 06 2008


“Halloween” estreia em Portugal 30 anos após a sua criação. Filme de 1978, de um John Carpenter em ascensão, após a realização de “O Assalto à 13ª Esquadra”, teve um papel marcante na evolução do cinema de terror.

De estilo simples e inquietante, com influências da obra de Hitchcock, originalmente “Halloween” apostava num estilo escuro, onde a tensão e a iminência de qualquer ataque surgia a cada esquila. Michael Meyers, o psicopata homicida, reunia características entre o sobrenatural, como se tratasse de um monstro que vive em pesadelos, os quais encarnou numa figura sobre-humana.

Nessa altura, ainda não se falava em clichés e em lugares feitos, onde já saberíamos a cinco minutos do início do filme quem sobreviveria ou seria feito carne para canhão, cada uma vítima com uma morte mais horrível do que a outra. Essa fase terá surgido depois, nos projectos que seguiram, desde os anos 70 até aos dias de hoje.

Neste remake, o mais curioso e positivo terá passado pela escolha do realizador, Rob Zombie. Essa decisão reflectiu-se no argumento e no desenrolar do enredo, mais preocupado com a proximidade à realidade e à violência gráfica, tanto como a emocional. Talvez não seja o mesmo filme de silêncios, onde só ouvia um acorde de piano, composto por Carpenter, que brilhantemente atiçava os níveis de ansiedade dos espectadores. Aqui, já sabemos quem sobreviverá, e o objectivo terá sido orientado para uma centralização na figura do “monstro”, Michael Meyers, desde a sua infância até ao seu regresso, na perseguição incessante pela sua irmã mais nova Laurie. Rob Zombie reconhece que nos dias de hoje, o espectador de filmes de terror é alguém já preparado, moldado pela experiência. Como tal, o desafio fulcral de qualquer filme de terror é ultrapassar a barreira da ficção e aproximar-se à realidade.

Neste projecto, Meyers começa por ser uma criança calada, revoltada pouco a pouco com o ambiente familiar (a severidade do namorado da mãe e a “promíscuidade” da sua irmã mais velha), o espaço escolar (onde é gozado e atacado pelos rufias, seus colegas) e o todo o espaço que vagueia. Vive com uma vergonha silenciosa de ter uma stripper como mãe (uma participação simbólica de Sheri Moon Zombie, esposa de Rob Zombie, e protagonista dos seus anteriores filmes, embora seja nela que alcance algum ninho sentimental. A sua irmã mais nova (Laurie) é ainda uma bebé, e ele cuidará dela com um cuidado que nos surpreenderá. Perante este contexto, Meyers desde criança que prefere ocultar-se do detrás de máscaras, desta vez a de um palhaço, numa referência assumida de Zombie aos seus dos projectos cinematográficos anteriores.

A sua primeira apresentação não ilude na imagem de um jovem doce e sofredor, mas representa uma aproximação ao dia à dia de muitas familias americanas, e a diversas histórias de crimes macabros que povoam os mitos de muitas cidades do seu interior. O crime inicial que todos esperam deixa de se tornar “a primeira morte” para ser um aspecto que catalizará todo o evoluir do enredo. A representação do período em que se manteve internado, também serve para constituir a personagem de Meyers para a imagem que todos se recordam: silencioso, brutal e imparável.

Mais do que qualquer interpretação dos actores, este “remake” sobrevive à maldição das sequelas de “Halloween” pelo imenso respeito que Rob Zombie tem pelo material original. Não pretendeu copiar os mesmo conceitos, contudo também não quis mutilar um filme de culto do cinema de terror. Talvez seja mais do mesmo para alguns, e talvez isso prejudique a sua significância individual, porém existem períodos em que ver algo do mesmo, desde que seja bem construído, é um dislumbre para o olhar, e um arrepio para a espinha.

 

Bom
3 estrelas

 
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publicado por Nuno Cargaleiro às 20:42
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