Viciado em Cinema e TV (A Sequela) por Nuno Cargaleiro

Abril 18 2007

 

 

 

As curtas-metragens de autoria portuguesa recomendam-se. Um bom exemplo disso é a curta-metragem que surge no início do filme "O Caimão": "História Trágica com um Final Feliz". Esta obra foi resultado da cooperação internacional entre a Ciclope Filmes (Portugal), a Folimage (França) e o Office national du Film (Canadá).

 

 

Utilizando uma técnica de animação, como se olhássemos para desenhos a carvão, Regina consegue contar-nos uma boa história, usando as metáforas típicas de fábulas para retratar personagens que todos nós conhecemos. Quem vive sobretudo numa cidade ou vila pequena, especialmente no interior de Portugal, poderá compreender melhor o sentido de "História Trágica com um Final Feliz", onde o "coração de pássaro preso na menina" representa uma vontade de ver mais, conhecer outros mundos, poder ter a capacidade para mover-se no mundo à vontade, sem estar preso a rumos ou vidas que são tão habituais nos meios onde nos movemos.

 

 

Para perceber melhor, vejamos as palavras da própria realizadora, Regina Pessoa:

 

 

"As histórias que gosto contar são sempre simples, acerca de pessoas que conheci. Umas ainda vivem, outras já morreram. Tiveram vidas anónimas ou ignoradas, passaram despercebidas por este mundo e rapidamente foram esquecidas. Interessam-me os mistérios, os pequenos dramas e a poesia que se escondem nas suas vidas aparentemente banais. São elas os meus heróis e as minhas referências.

 

 

As ideias deste filme surgiram num trabalho de gravura e serigrafia, enquanto estava a estudar nas Belas Artes, cada frase inspirava uma gravura e cada imagem sugeria uma nova frase e assim foram surgindo novos desafias técnicos e estéticos. Um longo processo de produção se seguiu.

 

Seguimos uma menina e descobrimos que ela não é igual às outras pessoas, é "diferente". O traço que a faz diferir não só incomoda a comunidade a que pertence, como se traduz por um profundo sofrimento individual. A comunidade e a menina reagem à diferença, a primeira manifestando a sua intolerância, a segunda isolando-se. Com o tempo, a comunidade acaba por habituar-se insensivelmente à presença da diferença, distanciando-a, mas ao mesmo tempo integrando-a na voragem do seu quotidiano.

 

Porém as diferenças existem, persistem e são irredutíveis. Certas vezes possuem razão de ser e correspondem a estados temporários de trânsito para outros estados de existência, certas vezes são fatais... Seja como for, devem ser assumidas por quem as vive para a levarem a um melhor conhecimento de si própria e a uma mais intensa consciência do mundo.

 

Um dia partirá e deixará a comunidade, que compreenderá, demasiado tarde, que o tal ser estranho que sempre mantivera à distância, tinha acabado por fazer misteriosamente parte da sua vida..." (informações retiradas do site http://www.ciclopefilmes.com/)

 

"História Trágica com um Final Feliz" venceu o Grande Prémio Le Cristal d'Annecy'2006 ", um dos mais importantes festivais de cinema de animação do mundo, com uma ovação: "For its unique graphic style and because we all loved it ".

 

 

E da mesma forma que não existem personagens grandes ou pequenas, não podemos considerar as curtas-metragens como sendo cinema menor, mas como uma linguagem de comunicação "diferente" das longas metragens, devido a especificidade de tempo e recursos, mas que deve ser dada a nossa atenção e valor.

 

 

 

Muito Bom

4 estrelas

 

publicado por Nuno Cargaleiro às 23:17

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