Viciado em Cinema e TV (A Sequela) por Nuno Cargaleiro

Julho 21 2007

 

 

Reverend Clement Hedges: Beware the moon!


As curtas metragens de "Wallace e Gromit" são já um clássico e na animação "stop motion", daí que a dado momento a questão de transpor das personagens para o grande ecrã seria um situação a analisar. Um dos testes para confirmar se um filme deste tipo teria "estofo" para sobreviver ao mercado do cinema foi "A Fuga das Galinhas", que como bem se recordam foi um sucesso quer no circuito das salas de cinema, quer na distribuição de "home video" (seja em aluguer ou venda directa).

Em contraste com o estilo de animação predominante actualmente (com origem na Disney, Pixar, ou Anime), "Wallace e Gromit" transmite vida a pequena figuras de plasticina que são religiosamente moldadas de modo a interpretarem personagens com alma e personalidades próprias, condimentadas com um humor muito "sui generis"!... Como já devem ter reparado, eu sou um fã das curtas de "Wallace e Gromit" e devo dizer que o filme não me desiludiu!...

Optando por criar um argumento específico para o filme, Steve Box e Nick Park preferiram desenvolver as personagens, em vez de seguir a solução fácil de repetir as mesmas piadas (das curtas metragens) vezes sem conta. Essa decisão permitiu-nos ter sempre um toque de expectativa com estas figuras que já conhecemos algum tempo.

Assim, Wallace e Gromit surgem no ínicio como "caçadores" piedosos, mas eficientes, de coelhos, que numa povoação que vive quase exclusivamente para a agricultura são considerados o equivalente a pestes indesejadas. Os seus métodos são no mínimo curiosos, mas até há altura cumpriram sempre os seus ojectivos, sem que para isso tenham sido magoados quaisquer um dos coelhos aprisionados (figuras essas que são do mais hilariante da película!...). Com uma grande carteira de cliente, tudo corria bem até ao momento que surge "um Coelho-Homem", que sendo um membro do sobrenatural não pode ser derrotado por métodos "normais"... Com a pressão da cidade, que vê aproximar-se a data do seu Concurso de Vegetais Gigantes, Wallace e Gromit são encarregues de parar a praga indesejada, antes que Victor Quartermaine (um caçador de fortunas arrogante e presunçoso, na voz de Ralph Fiennes) tome o caso e decida efectivamente caçar e matar a criatura. No meio ainda temos um clima amoroso entre Wallace e Lady Campanula Tottington (voz de Helena Bonham Carter), e demonstrações de porque é que o cão é o melhor amigo do homem!...

"Wallace & Gromit e a Maldição do Coelho-Homem" ganha maior parte do seu humor com a paródia assumida de filmes de terror do género, com referência claras a filmes de lobisomens, a filmes de terror dos estúdios Hammer, ao King Kong original, e até ao "Mighty Joe Young". No meio ficam questões como: Cenoura ou Queijo? Porque é que existe uma loja de artigos sobrenaturais na Igreja? O que é uma Were-Cow? Quando é que os coelhitos voltam com o Wallace e Gromit? Onde é que eu posso comprar um BV6000?...

De humor delirante, desde o início até o final, "Wallace e Gromit" é animação de qualidade para qualquer idade, e para qualquer paladar cinematográfico. As únicas falhas que posso apontar é que apesar de ter-se tentado desenvolver as personagens, fazendo-as sair um pouco da imagem em que já as conheciamos, não conseguiu-se cumprir o objectivo. Assim, ficou somente a promessa, e apesar disso não prejudicar de todo o produto final também não o favorece. Por isso, infelizmente não posso dar mais classificação.

Óptimo filme para um dia de chuva, ou um dia de sol, o importante é estar disponível para o bom humor!...

Bom
3 estrelas

 

publicado por Nuno Cargaleiro às 13:03

Julho 19 2007

 

 

 

 Lord Voldemort: You're a foul Harry Potter, and you will lose everything.

 

Discutir um filme da saga "Harry Potter" ignorando o livro em que o projecto se baseia será descuidar de um dos pormenores mais importantes do sucesso e impacto do mesmo. Neste "Harry Potter e a Ordem na Fénix", este princípio aplica-se em grande parte por duas razões: porque a narrativa é diferente, e porque a personagem principal diverge no seu conceito dos filmes anteriores...

 

Esta mudança é natural, devido à introdução do arqui-inimigo Lord Voldemort no passado filme, e graças ao crescimento natural das personagens que compõem a história. Contudo tem-se a mesma dose de estranheza a lidar com este Harry Potter do que é apresentado no livro: um figura mais plástica, bruta, tendicioso de que o mundo está contra ele, chata, e aborrecido... O que acabava por dar maior graça no livro era a partilha de protagonismo que se espelhava por entre Ron, Hermione, e os restantes membros da trupe de alunos... Isso para além do fantasma iminente de Lord Voldemort!

 

Este filme é um pau de dois bicos: aqueles que forem fãs da série, com toda a certeza vão adorar este capítulo, acentar tendas para comprar o livro que está quase a sair, fazer preces para que Emma Watson permaneça como Hermione, e esperar religiosamente pelo próximo. Aqueles que não deliram com Harry Potter podem achar o filme interessante, mas não muito mais do que isso.

 

Como já referi, a isto se deve ao próprio enredo, reduzido ao essencial, embora permaneça numa "campanha" de 2 horas e 20 minutos. Tal como no livro onde se baseia, será o início que custa mais a suportar.

 

O argumento terá sido condensado, despojando alguns desenvolvimentos iniciais que nos permitiam ter uma maior consciencialização de que o mundo "Harry Potter" tinha-se alterado com a chegada de Voldemort. Assim, ficamos com uma série de referências a manchetes de jornais e conversas paralelas, avançando rapidamente para Howguarts, para a introdução da figura mais inabalável desta película: Dolores Umbridge, na mão da fabulosa Imelda Staunton, roubando claramente a cena ao próprio Harry Potter. Pérfida, falsa moralista, controladora, e narcisista, a sua representação corresponde exactamente, senão ainda melhor, à imagem que temos nas páginas escritas por J.K. Rowling, correspondendo a um dos pontos altos do filme.

 

Quanto ao resto, não há muito a dizer: há um mistério (que no filme nem se percebe muito o que é), suspeitas constantes de um ataque iminente, um governo auto-centrado que se recusa a admitir a realidade, mais umas criaturas que são apresentadas para vender o peixe (e merchandising), uns quantos efeitos especiais, uma "rebelião" que se organiza para encher metade do filme, e finalmente um confronto final que enche os olhos, sente-se rápida demais, e cria expectativas para o próximo volume desta saga...

 

Como já disse, ver este "Harry Potter e a Ordem da Fénix" cria o mesmo sentimento agri-doce que provoca ler o livro. Contudo, o filme não aproveita a série de pequenos pormenores com que a obra literária se defende, correndo o risco de se ver, perante cada espectador, como uma figura diante de um abismo: alguns vão adorar, outros suportam (mas esquecem-se rapidamente), e outros vão simplesmente pensar no dinheiro que gastaram com o bilhete de cinema. Pessoalmente, situo-me na categoria do meio, com o leve arrependimento de não ter escolhido antes o filme que estava na sala ao lado... (é verdade!...)

 

Mas para aqueles que pensem que analisar este filme desta forma significa que estou a movimentar a minha opinião sobre a saga, enganam-se. Admito que este pareceu-me um dos mais "inconcistentes", mas a realidade é que tenho mais expectativas sobre o próximo do que alguma vez tive sobre este.

 

Suficiente

2 estrelas

publicado por Nuno Cargaleiro às 17:17
Tags:

Julho 06 2007

 

 

 

 Sam 'Spike' Witwicky: I bought a car. Turn out to be an alien robot... who knew?

 

Michael Bay já tinha demonstrado no "The Island" que estava a tentar "regressar" ao caminho correcto. Um pouco incompreendido na altura, devido às críticas negativas que se amontoaram, juntou-se (um pouco reticentemente no início) desta vez à imagem de um profissional reconhecido, Steven Spielberg, e a um conceito com uma legião de fãs há decadas: Transformers.

 

Terão sido poucas as crianças e jovens na altura que não se recordam destas figuras, pelo menos do heróico Optimus Prime e o maléfico Megatron. Ora bem, eles regressaram, no filme que promete ser o blockbuster de "lucro" do ano!...

 

Um dos pontos positivos do argumento passa pelo facto de maior parte das personagens, e da sua imagem, serem baseadas na primeira série, datada de 1984 (embora por cá tenha sido um pouco mais tarde). Embora algumas marcas de carros tenham sido alteradas, devido a direitos de autor (algumas companhias não quiseram estar associadas a um filme de violência?!...), o certo é que pouco destoam daquilo que nos recordamos. Embora enquadradas num look do século XXI, claro!...

 

O outro ponto positivo, é apesar de ser um "filme familiar", apesar de personagens "parvas com o intuito de serem comic relief e darem um volte face ao enredo inesperadamente", de ter militares "destemidos como as cobras", e um enredo cujos dialogos não primam pela sua originalidade, este filme destaca-se pela positiva dos restantes... Mesmo tendo algumas destas características, no todo do filme servem somente como mecanismos de ligação com o espectador, não tendo o relevo habitualmente exagerado (embora a personagem "idiota" de John Turturro irrite bastante). E atribuindo o verdadeiro protagonismo a quem lhes pertence: aos Robôs! Nada lhes falta: humanidade, realismo, agilidade, e um certo humor que não conheciamos neles!... Enquadrando uma nova ideia na sua origem, consegue manter-se fiel à história original, embora demonstre liberdade de decisão nas consequências de determinadas personagens do elenco, que provavelmente não voltaremos a ver numa cada vez mais certa sequela.

 

Quanto aos humanos, os que posso destacar são a dupla Shia LaBeouf e Megan Fox. Estes dois têm potencial, sobretudo Shia LaBeouf que depois de um "sucesso inesperado" com "Disturbia" destaca-se cada vez mais. Neste projecto, ele é "Sam Witwicky", um jovem "outsider" que consegue manter uma melhor relação de amizade com o seu carro do que as restantes pessoas... Até que o mesmo começa a dar sinais estranhos de que o compreende.

 

"Transformers" é um filme do tipo "blockbuster megalomano", contudo sem a parte do megalomano. Inesperadamente, todos os vícios típicos são atenuados, ao ponto de quase não repararmos neles. Contudo, não deixa de ter as características de um filme de acção "familiar", sendo abragente a várias faixas etárias. Os efeitos especiais são cuidados para servirem as suas "personagens", de modo a cada uma delas assumir o espírito e a humanidade que nos recordamos (destaque para a voz de Optimus Prime, na mão do actor Peter Cullen, que fez a dobragem original em 1984; e a introdução de Hugo Weaving, no cuidado da voz de Megatron). E a acção!... Ultrapassa aquilo que nós pudessemos alguma vez esperar...


Talvez tenha sido por estas características que saí de uma sala de cinema com um sentimento de nostalgia, satisfeito e relaxado de duas horas de puro entretenimento. Pode não ser um filme que faça refletir, mas é uma experiência que nos agrada e que completa as nossas expectativas.

 

Tal como é dito por um figurante, a dado momento do desenrolar do filme: "This is better than Armageddon!... I promisse!"

 

Muito Bom

4 Estrelas

publicado por Nuno Cargaleiro às 00:05
Tags:

Junho 29 2007

 

 

 

 John McClane: Yippie-ki-yay, mother...

 

12 anos depois, eis que John MacClane regressa!...

 

Num período onde se começa a olhar de lado para "blockbusters", este filme representa que ainda é possível criar um filme de puro entretenimento, com um argumento consistente, e acção "non stop"...

 

Um dos maiores trunfos deste filme passa pelo amadurecimento profissional de Bruce Willis!... Hoje em dia, este actor já não "tem nada a perder", e graças a provas dadas, acaba por lançar-se em projectos pelo simples gosto no mesmo. Assim, este John MacClane assemelha-se um pouco à figura do primeiro filme, que acaba por se ver envolvido num ataque nacional, através do total controlo informático e de recursos básicos (água, electricidade, gás), e responde directamente.

 

Contudo este "action hero" não se demonstra ser do tipo "mostrem-se os mauzões"!... Pelo contrário, responde sempre na linha do primeiro objectivo que lhe foi fornecido: escoltar o hacker Matt Farrell (Justin Long), que poderá saber mais do dito ataque do que inicialmente parece.

 

O que distingue sobretudo esta sequela das duas anteriores, é a capaz adaptação do género aos tempos modernos, seja pelo conceito, seja pelas personagens de Matt Farrell (a antítese de John MacClane, um "geek" informático cobardolas, com manias hipocondriacas e nariz algo empinado) ou por Lucy MacClane (a filha de John, a cargo da actriz Mary Elizabeth Winstead, que nos apresenta um representação feminina do pai, dura e com espírito de sobrevivência). Através destes dois, este filme alcança as gerações mais novas que vivem à base de aventuras como "Fast and Furious", e não tiveram o gozo que os trintões e quarentões de hoje tiveram a ver o primeiro "Die Hard" na tela do cinema. Talvez por isso é que presenciei este filme, a plateia era tão heterogénea, mas todos envolvidos nos momentos de comédia e acção.

 

O único ponto negativo passa pelo casting do vilão principal: Timothy Olyphant é um bom secundário, mas não tem o carisma que Jeremy Irons ou Alan Rickman. Neste papel, Maggie Q consegue uma melhor prestação, na pele da serena Mai, capaz de se proteger e servir de contraponto a MacClane, numa das melhores cenas de luta do filme...

 

Passados 19 anos da estreia do primeiro filme da série, esta personagem destaca-se como um do poucos sobreviventes nesta nova era de filmes de acção, sendo sem dúvida o genuíno "last action hero"!...

 

Um filme para fãs, ou simplesmente para quer um bom entretenimento, sem grandes presunções. Um filme que é como a sua personagem principal: rápido, directo, cómico, e explosivo...

 

Muito Bom

4 Estrelas

publicado por Nuno Cargaleiro às 18:48
Tags:

Junho 25 2007

 

 

Cada vez que vejo um novo filme de Ang Lee, convenço-me que este será um dos realizadores que irei sempre apreciar durante a minha vida. Dotado de uma versatilidade que lhe permite incidir em vários "estilos" de filmes, Ang Lee consegue fascinar-nos com a credibilidade que consegue apresentar no argumentos e na direccção de actores. Até mesmo no mal amado "Hulk", Ang Lee é grandemente responsável pelos aspectos positivos do filme, donde se destacam, por exemplo, os movimentos "humanizado" da figura do gigante verde, coreografados e interpretados pelo próprio Ang Lee, de modo a conseguir apresentar a qualidade que desejava.

 

Neste filme, Ang Lee consegue representar em imagem um fabuloso conto de E. Annie Prouxl, que lhe fez ganhar o Prémio Pullitzer, de um modo honesto e verosímel, nunca caindo na tentação de apresentar figuras esteriotipadas ou no "choradinho iminente". Ao contrário do que muitos realizadores poderiam fazer, Ang Lee dá atenção, na medida do possível, a todas as suas personagens, e a aspectos como a paisagem (desde aos campos que representam a pobreza de Ennis e da sua família, até à paisagem rica e "farta" de Brokeback Mountain que representa "o paraíso de liberdade" onde o "wisky corre nos rios") . Aliás, é a paisagem/ambiente físico que acaba por ser o catalisador de muitos dos acontecimentos. Destaque para a maravilhosa fotografia!...

 

Um dos principais aspectos na decisões de Ang Lee é a preocupação de apresentar personagens reais, e contextos em que nós possamos acreditar. Assim, tudo é apresentada de uma forma simples e honesta, onde pequenos pormenores trabalham para que esqueçamos que estamos a ver uma obra de ficção. Foi a querer representar isto que eu saí da sala de cinema a conversar com os meus amigos sobre as mamas das actrizes... Isto é!... O corpo é apresentado sem ser gratuitamente e sempre dentro de um contexto. Por exemplo, quando a personagem de Michelle Williams discute com o seu marido, em que ambos preparavam-se para ter relações sexuais, e vira-lhe costas, fruto do resultado amargo da discussão, ela mostra as mamas naturalmente, como se a câmara não estivesse lá... Noutro filme de Hollywood o mais provável era a actriz ter o cobertor bem aconchegado para não mostrar nada!... Ou por exemplo, quando Heath Ledger se despe na primeira vez, a sua personagem fica de "cócoras" enquanto se lava. Para além disso, tive curiosidade de ler o argumento (como acontece em alguns filmes) e reparei que muitas cenas que o argumento tinha decido "sugerir", o filme decidiu "assumir", sendo o clássico exemplo, a cena em que "Jack" e "Ennis" descobrem a atracção que têm um pelo outro. Depois desta cena, deixa de existir lugar para constrangimentos (para quem eventualmente os pudesse ter!...), e tudo que venha apartir segue no seguimento das personagens.

 

Esta decisão de tentar ser o mais realista possível pode levar a muita gente a acusar este filme de ser pouco corajoso, e por vezes entediante... Quanto a essas opiniões, apesar as respeite, só tenho a indicar que o contexto da história tem um tempo e um espaço definido, logo temos de ter em conta "a personalidade cultural" das figuras que vemos... Não esquecer que a posição socio-cultural no ocidente sobre a temática da homossexualidade tem mudado muito desde os últimos 40 anos!... Sobre o facto de ser entediante, acho que este filme é como a personalidade de Ennis: contido, mas que fala pelos seus silêncios...

 

Felizmente, os silêncios que permanecem durante o filme não significam a inexistência de uma banda sonora poderosa. Fruto da colaboração de Gustavo Santaolalla (que também participou no filme "Os Diário de Che Guevara"), não é de admirar que esteja nomeado para o Óscar de Melhor Banda Sonora Original. É impressionante que através de alguns acordes de guitarra, que correspondem ao contexto da área onde decorre a acção, Santaolalla consegue transmitir de uma maneira simples um som poderoso, o qual terá bastante responsabilidade no envolvimento do espectador.

 

Quanto às interpretações, é de elogiar a dedicação com que os actores, em especial os protagonistas, dedicam-se e entregam-se à sua personagem. Para além disso, é curioso ver Anna Faris (a rainha do "Scary Movie") numa participação fugaz, mas interessante, revelando o interessante desta num projecto independente, que no início ninguém dava cavaco!... Apesar de existir um grande espaçamento desde a sua última participação num filme a sério ("Lost in Translation", onde pode apresentar, a pedido de Sofia Coppola, a sua imitação da Cameron Diaz), Faris consegue cumprir o pretendido, e sinceramente, parece ter um pequeno toque de midas nos filmes independentes que participa (apesar de não o conseguir para fazer evoluir a sua carreira)...

 

Neste história de boy meets boy, encontramos Jake Gyllenhaal no papel de "Jack Twist" um comboy amante de rodeos, que por falta de dinheiro concorre, durante o verão de 1963, para uma posição de guardador de ovelhas. Aí conhece o introspectivo "Ennis del Mar", encarnado por Heath Ledger, que busca acumular algum dinheiro antes de casar com a sua noiva Alma, interpretada por Michelle Williams (curiosamente a sua mulher na vida real). Durante este Verão, onde ambos depende um do outro para "sobreviver", laços de amizade são criados e ultrapassados, criando uma ligação de "atracção-amor" que vai segui-los durante os próximos vinte anos. Enquanto Jack representa o lado selvagem e inconsequente, não temendo assumir a sua relação com Ennis, este último representa o silêncio, o medo e a auto-homofobia que a sociadade lhe "instalou", reprimindo os seus sentimentos publicamente, mas vivendo interiormente a frustação de não conseguir ir além do "que pensa ser capaz".

 

O duo Jack-Heath consegue transmitir a química para o ecrân, em grande parte devido à entrega dos seus actores, merecendo ambos a nomeação para o Óscar de interpretação. É de realçar que Heath Ledger é unico actor que conseguiu apresentar uma imagem de velhice com maior credibilidade sem recorrer demasiado à caracterização, através do posiocionamento do maxilar e do facto do próprio actor ter engordado um pouco, fugindo à imagem que apresenta quando é suposto ter cerca de vinte anos.

 

Quanto a Michelle Williams, foge completamente à imagem que apresentou na série "Dawson's Creek", vivendo uma mulher que procura manter o seu casamento perante a sombra de uma ameaça, com a qual sabe não poder competir. Eficiente na sua participação, é caricato que a actriz serviu-se do facto de ser mulher de um dos protagonistas, obrigando-os a beijarem-se diante dela (por detrás da câmara), durante a filmagem da cena em que Alma descobre os dois amantes, de forma a compreender melhor e transmitir o que a personagem estaria a sentir naquele momento.

 

Anne Hathaway é curiosamente a "mais fraquinha do grupo". Essa sensação não parte somente da sua interpretação (refira-se que esperava um melhor desempenho), já que infelizmente para ela, a sua personagem não tem um grande desenvolvimento durante a história, sendo a personagem que mais fala por "enigmas"... A seu mérito fica o facto de ter sido escolhida no casting sem que Ang Lee soubesse quem ela era e que seria uma actriz conhecida... A "menina" pelos vistos anda a fugir de "papeis de menina", tentando ir além dos "Diários de uma Pincesa" e da "Ela Encantada".

 

Possivelmente se não tivesse sido o vencedor do Leão de Ouro no Festival de Veneza ninguém nos "States" teria dado "cavaco" a este filme, já que há mais de cinco anos que estaria em fase de projecto... Até Gus Van Sant andou atrás deste projecto, sem conseguir financiamento!...

 

Excelente

5 Estrelas

publicado por Nuno Cargaleiro às 12:44

Junho 22 2007

 

 

 

Prince Charming: You! You can't lie! Where is Shrek?
Pinocchio: Well, uh, I don't know where he's not.
Prince Charming: You don't know where Shrek is?
Pinocchio: On the contrary,
Prince Charming: So you do know where he is!
Pinocchio: I'm possibly more or less not definitely rejecting the idea that I undeniably
Prince Charming: Stop it!
Pinocchio: Do or do not know where he shouldn't probably be. If that indeed wasn't where he isn't!

 

"Shrek, o Terceiro" é um dos poucos casos de sequelas que são lançadas pelas distribuidoras de cinema, em vez de entrarem directamente no circuito de dvd. Isso tem sido conseguido pela organização de um enredo que ganha sentido mais específico com o andar da idade do espectador, mas que pode agradar a todas as faixas etárias...

 

Nessa sequência, há qualquer coisa que se perde neste terceiro filme. Apesar de existir a referência à gravidez de Fiona, e à chegada iminente de um bebé, perde-se demasiado tempo com a busca e confronto de Artur, aquele que poderá ser rei, mas que afinal não tem tanta vontade para isso.

 

Por causa desta decisão, Fiona quase parece uma personagem secundária, que só voltou para poder marcar presença... Claro que existem referências constantes, na luta dela pela invasão do Príncipe Charmoso ao Reino de "Far Far Way". Porém, essas cenas acabam por priveligiar as suas companheiras de luta, donde se destacam a sua mãe na voz de "Julie Andrews" a trolitar canções do "Música no Coração" após ter partido paredes à cabeçada, A "irmã mais feia" que parece ter se "regenerado", e a Branca de Neve, que de entre o resto sobressai pela sua postura psicótica...

 

Este filme entretem, mas como em muitas séries de filmes, o terceiro acaba por fechar sempre um ciclo. Existe assim o risco de acontecer isso com "Shrek". Poderiam ter mantido as mesmas ideias, mas organizando-as de modo diferente não faria o enredo dispersar-se, para acelarar para o final, simplesmente porque um filme de animação não pode ser demasiado longo.

 

Um filme a ver, embora possivelmente o mais fraco dos três. Porém, um filme a ver, nem que seja pelas pequenas criaturas que aparecem no final, pelo fabuloso Banderas no Gato das Botas, e por pequenas preciosidades na adaptação das "princesas dos contos de fadas" para este filme.

 

Mas não deixa de ser um bom filme para famílias com crianças pequenas...

 

Suficiente

2 Estrelas

 

publicado por Nuno Cargaleiro às 13:43
Tags:

Junho 18 2007

 

 

 Japanese newscaster : Susan Jones , who was wounded in a terrorist attack in Morocco , was discharged from a Casablanca hospital this morning , local time . The American people finally have a happy ending , after five days of frantic phone calls and hand wringing . In other news ...

 

Num mundo tão largo e distante, vivem realidades que nos passam ao lado, que não assumimos, nem sequer consideramos. Inundam os nossos notícias, movem a opinião pública reduzem-se a linhas que filtram qualquer som natural do dia à dia, apresentando uma textura plástica e irritantemente definida.

 

No nosso mundo, aquilo que entendemos é no fundo aquilo que compreendemos. Infelizmente, por vezes, isso reduz-se aquilo que queremos compreender no nosso nicho familiar segmentado e delimitado. Nessa assumpção, ignoramos o impacto dos outros, e a nossa importância num conjunto de relações aparentemente inconsequentes. Babel sobre isso, sobre a nossa capacidade de ouvir o que habitualmente não é traduzido, questionando a sociedade ocidental de realmente querer ouvir.

 

Uma pacata família é afectada por um incidente em Marrocos que afecta a mãe (Cate Blanchett), vítima de um disparo tido como ataque, na realidade fruto de um acidente de dois miúdos "vaidosos" de poderem manejar uma arma que nem se de um adulto se tratassem. Nesse "acaso" gera-se consequências que influenciam a vida de elementos em vários pontos do globo: a ama mexicana que se vê "impedida" de ir ao casamento do seu filho no México para cuidar dos filhos do casal, uma família marroquina desmembrada pelo poder político a quem não podem contrariar, uma rapariga japonesa que na sua desilusão deambulante encontra na polícia que pretende falar com o seu pai (devido ao caso anteriormente descrito) um rastilho para expor a armagura e os recursos para alcançar a figura paterna que tanto longe lhe parece, uma aldeia marroquina que se mostra perante o confronto de um casal aflito e os olhares desconfiados de turistas de várias nacionalidade, que pretendem a distância "segura" de um hotel de cinco estrelas, onde têm a certeza da qualidade do gelo que os empregados colocam no seu copo de "coca-cola light".

 

Todos estes conflitos chocam o espectador e procuram dar cara a possíveis histórias que nos defrontamos diariamente. Iñárritu tem o hábito de cruzar percursos para permitir o espectador chegar à sua conclusão, sem ser demasiado evidente ou tendencioso. Contrariamente ao estilo de muitos realizadores que vemos hoje em dia, especialmente nos Estados Unidos, Iñárritu consegue de facto questionarmos sem nos obrigar a um ditado de um discurso previamente escrito, que nem estudantes que decoram a matéria de estudo para um exame, sem compreenderem e articularem os seus conceitos.

 

As interpretações, sobretudos dos "actores desconhecidos", são de uma entrega desconcertante, que os afirmam ainda mais, nos olhos do espectador, como dignos representantes das figuras tipo que representam. A estes destacam-se a figura de Adriana Barraza (a comovente ama de duas crianças que vê toda a sua vida revista e avaliada por um simples erro de julgamente inconsequente), a silenciosa Rinko Kikuchi (que consegue da "mudez" da personagem demonstrar a revolta de uma adolescente zangada com a vida, consigo, e com o munde que não a consegue "escutar"), a jovem Elle Fanning (que contrariamente à irmã Dakota Fanning consegue personificar uma simples criança normal, e que neste filme revela discretamente a personificação da esperança "sufucada involuntariamente" no futuro do mundo, contrariamente ao seu "irmão" no filme, que mais velho, já se deixou educar pelas regras e persupostos desconfiados do mundo ocidental), e Boubker Ait El Caid (que neste filme, o único em que participou, é Yussef, uma criança marroquina de sete anos, "feita homem adulto" demasiado cedo, e com as piores consequências). Quanto a Brad Pitt e Cate Blanchett, apesar de não estarem mal, não brilham, pois numa história sobre "anónimos" as suas figuras valem mais por quem "são" e não por quem representam.

 

"Babel" é uma imagem, que nem a sua referência, a célebre Torre bíblica de Babel representa um desfazamento mundial onde todos têm as ferramentas para comunicarem, mas onde a política, a ecónomia e as classe sociais definem os destinos persistentes dos seus intervenientes: os do "fundo" lixam-se, os que estão a meio vão sobrevivendo, e os que estão ao alto vão-se queixando, ignorando interiormente a sua sorte, e neglegenciado a responsabilidade que têm no meio envolvente.

 

Este deveria ter sido o vencedor dos Óscares de 2006. Pelo menos para mim, é o vencedor.

 

Excelente

5 Estrelas

publicado por Nuno Cargaleiro às 21:53
Tags:

Junho 11 2007

 

 

Warren Schmidt (Jack Nicholson): Relatively soon, I will die. Maybe in 20 years, maybe tomorrow, it doesn't matter. Once I am dead and everyone who knew me dies too, it will be as though I never existed. What difference has my life made to anyone. None that I can think of. None at all.

O Alexander Payne tem este talento de tornar as histórias mais simples em histórias cheias de detalhes, complexas e ricas em emoções. Não são as típicas histórias do cinema americano. Este filme, tal como "Sideways" mostra que um happy ending não quer dizer necessariamente um final feliz em todas as dimensões, mas sim a mostra de uma evolução positiva da personagem ou das personagens que demonstram o conceito e problema do filme.

Schmidt é um "velho", e não pensem que digo isto de forma negativa. Ele desde o início do filme que vê os sinais que o tempo passa e ele fica cada vez mais velho e inadaptado: reforma-se, a sua mulher morre (levando-o a começar a calcular qual será o seu tempo médio esperado de vida, considerando que não voltará a casar-se novamente), e a sua filha (que ele cada vez mais se apercebe que não "conhece" realmente) vai casar-se com o maior idiota que (segundo Schmidt) que existe à face da terra... Para além destes sinais mais obvios, existem as pequenas histórias dentro do filme, como os momentos que ele vive na sua viagem aos locais onde "viveu" no passado, que ajudam a reforçar esta situação.

"About Schmidt" para mim, é falar sobre um ser que se vê, do nada, como um ser inadaptado na realidade que vive, e que encara com bastante surpresa para essa situação. Schmidt é um homem à deriva, desesperadamente procurando na sua história uma âncora que sirva de razão de viver...

Um bom filme para ser ver numa noite tranquila, depois de um bom jantar entre amigos, para realmente reflectirmos que a nossa vida nunca será assim, e que aquilo fazemos hoje é aquilo que vamos herdar no futuro...

 

Muito Bom

4 Estrelas

publicado por Nuno Cargaleiro às 17:56

Junho 04 2007

 

 

Captain Vallenueva : Shoot him !

Captain Jocard : Cut out his tongue !

Jack Sparrow : Shoot him , cut out his tongue and shoot his tongue ... and maybe trim that straggly beard of his .

 

 

Antes de comentar qualquer aspecto deste filme, tenho que admitir: não vi o primeiro, somente este e o segundo. Para além disso, fiquei algo desapontado com o anterior, mantendo a minha apreciação em modo de "stand by ", a fim de dar ainda uma hipótese a este projecto de grande sucesso e audiências!...

 

"Piratas das Caraíbas: Nos Confins do Mundo" é melhor do que o seu antecessor. Talvez pelo sentido de conclusão que faltou neste, mas também pelo dinamismo distribuído pelas suas personagens, privilegiando algumas secundárias em detrimento dos principais. Para além disso, é um óptimo filme de aventuras, com os efeitos especiais a servirem o filme, em vez de "serem" o filme (erro cometido por muitos nos dias que correm). O pior ponto será a sua duração. Este projecto assume o risco: de forma a concluir com detalhe os seus enredos, não sacrificando as cenas de acção (que são o grande chamariz), acaba por ter uma duração de quase três horas. Esta decisão faz com que aqueles que não gostem de ficar tanto tempo sentados, aguardem pela saída no circuito de videoclube. Porém, ainda bem que o decidiram. A história desenvolve-se fluentemente, e apesar de no final sentirmos que de facto já estamos há muito tempo na sala, não nos fartamos a nenhum momento.

 

Nesta sequela, o título original Pirates of the Caribbean: At World's End " simboliza quer a busca por Jack Sparrow , pirata anti-herói com toque efeminados a cargo de Johnny Depp , quer o conflito armado em movimento para a extinção dos piratas. Neste filme, temos ainda uma entidade poderosa com riscos de ser libertada, uma comunidade de piratas (cada um pior do que o outro), o regresso do pirata Barbossa (Geoffrey Rush irrepreensível ), a conclusão das histórias de amor (quer entre Davey Jones e a sua amada, quer entre o par Will "sou tão mau" Turner, e Elizabeth "mulher independente" Swann)...

 

A primeira linha que tenho a referir sobre o enredo: finalmente me livro de Orlando Bloom e Keira Knightley!... Se eles entrarem num quarto capítulo, só se for há conta de muito voodoo!... A verdade é que eu nunca gostei muito deste casal, nem nunca achei o seu enredo de história de amor muito credível!... Talvez seja porque eu não vi o primeiro filme, talvez seja o Jack Sparrow a roubar a cena, ou então seja então dos actores!...

 

No resto do enredo, os argumentistas e realizador aprenderam com os erros do segundo, e apostam mais no ambiente, do que no espectáculo de efeitos especiais (o monstro Kraken, ainda não começou o filme, e já foi ver os anjinhos...). Num universo de piratas não esperem finais felizes, mas passagens para "outros mares", daí, preparem-se psicologicamente, caso ainda não viram o filme.

 

Por outro lado, parece-me que Jack Sparrow vai continuar a ter as suas aventuras, e se prestarem bastante atenção percebe-se já a preparação para um conjunto de histórias. Se a realização continuar nas mãos de Gore Verbinski, e priviligiando o projecto do que a sua rentabilidade, então ainda existem muito espaço para as aventuras de Jack Sparrow e a sua tripulação nos sete mares.

 

 

Muito Bom

4 estrelas

publicado por Nuno Cargaleiro às 18:48
Tags:

Maio 06 2007

 

 

 

Eddie Brock : Spidey , love the new outfit . Give me some of that web action .

 

 

Falar sobre este volume da saga Spiderman é estranho. Avaliar a vários níveis este filme torna-se algo ingrato, pois a nível geral considero que seja o melhor dos três, contudo falando de modo mais específico, será em alguns aspectos mais fraco do que os primeiros. Para que seja mais facilmente entendido a minha opinião em relação a este filme, convém clarificar algumas ideias, e aviso aos leitores, irei falar frontalmente e receio de desvendar o enredo deste filme, logo, esperem por possíveis spoilers ". Eu sou fã dos comics do homem-aranha . Apesar de não ser um "freak" que decora diálogos e vive intensamente as decisões de enredo como se a sua vida dependesse disso, sou alguém que tem o mínimo de conhecimento do historial desta publicação. Logo, é natural que tivesse algumas ideias ou expectativas do resultado deste projecto!... Para além disso, tenho consciência que um filme desta envergadura é produzido para atingir aqueles que são fãs absolutos, como aqueles que vão ao cinema e querem simplesmente duas horas e meia de puro entretenimento!... Sam Raimi , desde o início, sempre nos provou ter sido uma escolher acertada para conduzir este projecto, porém, existe algo que me começou a afligir desde o segundo filme: estará Sam Raimi a ficar velho demais, e dessintonizado com a geração mais jovem?...

 

 Em "Homem-Aranha" tivemos a apresentação da personagem, a sua criação, e a relação de paixoneta "juvenil" com Mary Jane, assim como a relação de amizade com Harry Osborn. No papel de contra-parte do aracnídeo tivemos uma versão "metalizada" do Duende Verde, um dos vilões mais significativos na história deste universo. No segundo volume, tivemos o doutor Octupous ("que história era aquela do elenco chamá-lo sempre de Doc Ock"), numa recordação dos clássicos, que face às motivações do público que cria toda a expectativa à volta deste filme, foi uma decisão pouco ajustada!... Mesmo assim, conseguiu cativar mais atenção, e evoluir o enredo para o envolvimento de Mary Jane na vida do aranhiço, e a "queda" de Harry como "wannabe be Bad Guy"!... Do modo como o segundo filme acaba, ficamos com expectativas bastante altas para a sequela.

 

O terceiro capítulo desta saga inicia-se com um Peter Parker com o ego em alta, e uma Mary Jane em confronto com a evolução da sua carreira. Harry Osborn continua a ter o mesmo ar tacirtuno que mostrou nos filmes anteriores, e esperamos a primeira batalha logo nos primeiros momentos. Aliado a isto, existe um ladrão foragido, Flint Marko (Thomas Haden Church), em busca de dinheiro para os cuidados de saúde da filha (que "curiosamente" só surge uma única vez durante o filme); um fotógrafo corrente de Parker, Eddie Brock (Topher Grace), que não hesita a usar todos os mecanismos possíveis para ocupar uma posição de destaque no jornal de JJ Jameson, e no "coração" de Gwen Stacy (Bryce Dallas Howard), uma loirinha bonita e simpática, com uma tendência natural a meter-se em confusões "dignas" de intervenção de super-herois!...

 

Com o desenrolar, gera-se uma espécia de dois paralelos, Parker que tem uma namorada que ama, e um emprego que gosta, sendo reconhecido como bom profissional e como "super-heroi" da cidade, digno de admiração; e Brock, que vive uma relação com Gwen Stacy que só existe nos seus sonhos (já que a miúda não quer nada com ele), é desprezado a todos os níveis, tendo como consequência o seu despedimento e humilhação profissional. Só este conceito (aliado à história do fato negro e do surgimento de Venom) merecia o destaque de um único filme!!...

 

O filme peca pela falta de equilíbrio entre o início e conclusão. Assim, vamos analisar por partes:

 

-Sandman (Flint Marko), por exemplo, tem um grande destaque no ínicio, para se perder o rumo da personagem a meio, ficando Sandman colocado como um mero "ornamento" na luta final. Mais valia que tivesse uma história que encerrasse entretanto, mas onde não se sentisse a desorganização devido a acumulação de personagens. Porém, Thomas Haden Church consegue, na medida do possível manter a coerência da sua figura, procurando humanizá-lo para além do esteriotipado bandido com coração. Seria a personagem mais dispensável, mas será dos melhores desempenhos que encontramos. Na minha opinião, só foi incluido para "show off", demonstrando as capacidades tecnológicas de recriar um homem composto por areia. Nota de que a intenção não invalida o resultado positivo de algumas cenas, como o fabuloso primeiro levantar em que Marko se desfaz para voltar a recriar-se.

 

-Harry Osborn / Green Goblin II, é a personagem obrigatória, com James Franco a conferir uma boa interpretação à sua personagem. Nota-se que neste Duende, houve um cuidado na imagem devido às imensas críticas na altura do primeiro filme. Contudo, a sua "regeneração" final é demasiado fácil, e a roçar o cliché absoluto!... Seria preferível que fosse até ao final ambigua e conturbada, assim como o original nos comics.

 

-Gwen Stacy representa a imagem tipíca de heroínas simpáticas, bonitas, e de bom coração que por "peso da sua sina" acabam sempre no meio de confusões onde são salvas pelo seu cavaleiro andante!... Bryce Dallas cumpre bem o seu papel, criando empatia entre o espectador e a personagem. Ficamos a esperar sempre mais acerca da sua personagem, mesmo que não seja o destino "trágico" a que está destinada, mas é em vão!...

 

-Bruce Campbell volta a fazer um cameo, assim como Stan Lee, contribuindo num momento de humor, algo que Campbell já demonstrou a sua capacidade. Contudo, cada vez mais é estranho estas participações. Pode ser um gozo particular entre o realizador e o actor, ou pode ter mais água no bico do que parece: quando ele brinca com nome de Parker e chama-lo pecker, ele está mesmo a dizer pecker, ou berkhart?... Campbell pode ser um trunfo de Raimi, e existindo um quarto filme, entregue nas suas mãos, poderá já ter capacidade para integrar Campbell como um dos vilões de Homem-Aranha!... Qual? Vão à wikipedia, ou façam uma pesquisa neste blog, já que já falei disso!...


 

-O par Mary Jane e Peter Parker surgem durante este filme com uma interpretação superficial, quando de todos era o que mais requeria envolvimento e entrega. Kirsten Dunst ainda se safa bem, ficando a faltar na sua personagem o belo do cigarrinho na mão para corresponder à constante imagem de Mary Jane nos comics!... Por outro lado, ainda me consegue explicar o que o Tobey faz neste filme? Se no primeiro filme já achava que era um mau casting, neste ainda acho mais... Peter Parker é mais profundo do que ele consegue transmitir. Na cena em que discute com a tia sobre o destino de Sandman, a actriz que encarna a tia May consegue dar uma lição de interpretação a Tobey e demonstra-nos o quão superficial ele é!...


 

-Brock/Venom está surpreendemente bem composto por Topher Grace, que a dado momento conseguia mais a minha simpatia do que a personagem de Tobey. Quando se transforma finalmente em Venom é um puro espectáculo para os olhos. Na luta entre Homem-Aranha e Venom vemos as imagens que eu sempre quis ver desde o início, pois é este o Homem-Aranha que eu conheço. Nunca noutro filme do Homem-Aranha eu senti a sensação de estar a ver a banda-desenhada como neste. Contudo só durou meia-hora, e terminou abrutamente, quando a "companhia" de Raimi decidiu matar (eu avisei que tinha spoilers!) Venom (simbiote e Brock incluidos), inviabilizando qualquer possibilidade de regresso num quarto filme, com um maior destaque!... Apesar de Topher Grace conseguir bons resultados, considero que esta personagem deveria ter sido entregue a Thomas Haden Church, que para além de ser mais parecido à imagem original de Venom/Eddie Brock, tem mais experiência e consegue transmitir a imagem de cansaço, angústia, e desprezo que caracteriza Venom...

 

A filmografia e efeitos especiais deste filme são sem dúvidas os melhores da série, contribuindo num crescendo, onde o espectador é surpreendido constantemente pelas novas capacidades demonstradas. Porém, a falta de investimento profundo na história, resulta no desmascarar de uma superficialidade que desenquelibra o produto final!... Neste projecto existe várias possibilidades de reacções: o que conhece e gosta de filmes de acção e que sai satisfeito, o que gosta dos filmes anteriores e apesar de não ser fã vai ver e sai com a questão de que lixo acabou de ver, o fã que vai e adora cada momento (até porque não presta atenção aos diálogos), o fã (que como eu) vai e adora mais vê o filme "destruído" nos últimos 10 minutos, e os fãs que perdoam mais facilmente que reconhecem que é um bom filme, mas que pensam constantemente o que poderia ter sido...

 

Um filme a ver quando não aguentarem mais de ansiedade, ou então numa sala de cinema com um bom sistema de som!... Este filme nota-se que foi feito claramente para ser um filme espectáculo, consegue-o, mas começa-se a levantar a sombra da maldição de sequelas: tal como em Batman e Super-Homem, e X-Men, o terceiro film é o princípio do fim para novos desenvolvimentos. E com este, será que voltam com nova equipa?... Talvez seja melhor! Pois apesar deste ser bom, não me interpretem mal, a verdade é que poderia ser bastante melhor!...

 

Bom (e mais qualquer coisinha!...)

3 1/2 estrelas


 

 

publicado por Nuno Cargaleiro às 15:08
Tags:

Agosto 2009
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
10
11
12
13
14
15

16
17
18
19
20
21
22

23
24
25
26
27
28
29

30
31


arquivos
pesquisar